domingo, 21 de fevereiro de 2010

Afinal havia outra!


A Neurobiologia do amor e da paixão é um dos principais temas que muito percorrem o vasto leque temático do nosso comum quotidiano. A Genética quis, indagou e conseguiu abrir esta quezilenta Caixa de Pandora, que tantas dores de cabeça vem por aí a provocar.

No amor, as análises neurocientíficas confirmam o que muitos escritores e poetas já sabiam: apaixonar-se é tão inconsciente quanto sentir fome, já que ambas as reacções originam estruturas similares no cérebro. São processos vitais arraigados, que accionam áreas profundas do cérebro, inclusive responsáveis pela ansiada recompensa. Elas foram-se desenvolvendo durante milhares de anos no Homem.

A Neurociência mostra que a paixão é a ante-câmara do amor. Na paixão ocorre a desactivação das áreas cerebrais ligadas ao juízo crítico, o que faz com que a pessoa apaixonada veja menos defeitos na outra. Daí a máxima de que o amor é cego - alude o neurocientista André Palmini.
Com o passar do tempo, essas áreas associadas à paixão vão-se tornando menos intensas, dando a sensação de que a pessoa vai-se saciando aos poucos. Outras partes do cérebro, como as relacionadas à empatia, são accionadas. A estrutura primitiva do cérebro, que traz a sensação de bem-estar, continua activa, daí as pessoas continuarem interessadas uma na outra, diz Palmini.


A Neurobiologia já descobriu substâncias importantes no apego e na fidelidade, tais como as hormonas Ocitocina e a Vasopressina.
A primeira é fabricada pelo hipotálamo e guardada na hipófise posterior, sendo a sua função básica activar as contracções uterinas durante o parto e a liberação do leite na amamentação (auxiliando também implicitamente os casais a permanecerem juntos por muito tempo). É associada ao que as pessoas sentem - por exemplo, o almejado num abraço de quem se gosta.
É simpaticamente apelidada de “hormona do amor”, tanto que a sua concentração durante o orgasmo eleva-se em 400%. Prefiro não me pronunciar acerca do método analítico para tal precisão - convido (e tranquiliza-me muito mais) redireccionar-vos aos exímios e incansáveis relatórios de Alfred Kinsey, tanto se a curiosidade for assazmente voraz!

Já a Vasopressina é libertada pela neurohipófise e aumenta a pressão sanguínea. Também o é aquando o acto sexual, sendo esta a responsável pelo prazer, o que aumenta as hipóteses de um casal juntar os trapinhos!

Só que nem todas as hormonas são guardiãs da paz conjugal. Um estudo numa Universidade do Texas, nos EUA, revelou que o Estradiol (alta patente hormonal no sexo feminino) é o principal factor da infedilidade feminina. Estes ambíguos e aparadigmáticos seres afinal não precisam de manual de instruções, mas sim de um ralé mapa hormonal, facilmente facultado por qualquer ginecologista. Assim, quanto maior o índice desta no corpo, maior será a auto-estima, e maior a probabilidade de ocorrer uma traição.

Por sua vez, afirmam outros estudos não tão profundos (dada a obviosidade do caso em questão), no sexo masculino, a tendência à infedilidade conjugal está intrinsecamente relacionada com a procura natural destes pela auto-estima social, assim como pela adrenalina causada pelos primeiros choques da hormona responsável pelo prazer dos primeiros encontros. Reitero aqui que, e considerando-me em tese apoiada pelas nossas caras leitoras femininas, estes últimos argumentos são válidos para ambos, portanto...

Em síntese, queridos leitores, espero que tenham ficado melindrados nesta funesta explicação científica para os nossos sôfregos desassossegos. O Amor, afinal, não é complicado! Quando ocorrerem justificados ciúmes, relembrem os vossos pares "Tu vê lá, olha que isso é das hormonas." Claro que se não acreditarem, há sempre a possibilidade de domesticar essas ditas aos saltos à chapada!

E tenho dito,

4 comentários:

rita disse...

adorei o artigo, afinal o corpo e as suas hormonas são os culpados de nos sentirmos nervosos e uns completos parvos que não sabem o que dizer quando estão diante da pessoa que gostamos! ah ah :P

Nádia Dias disse...

Rita: completamente! Recentemente tive que fazer uma pesquisa pertinente ao tema e adorei! É espectacular relacionarmos certos comportamentos passados que não entendiamos com os factores hormonais.
E mais: sabias que quando te apaixonas és tu que escolhes o teu parceiro, e não vice-versa? Está cientificamente provado também que as hormonas femininas são preponderantes na formação dos casais. E que a sensação de "amor de uma vida" só se sente provavelmente uma vez na vida porque há poucos pares hormonais conjugáveis?

Isto é melhor que a Astrologia. Quando conhecer um rapaz vou-lhe pedir para fazer análises primeiro. É fantástico. Eu fiquei maravilhada.

Luís Gonçalves Ferreira disse...

LOL
Esta tentativa da ciência explicar a barafunda sentimental dos homens tem muita piada. Não duvido que o consigam, mas isso passa por análise extremamente complexa não só pelas hormonas, mas profundamente por todas as redes neuronais.

Beijoca na pernoca, minha dondoca.

Nádia Dias disse...

Luís: ao jeito que mereces neste momento - DUH! Deixa-me ser feliz a explicar os meus problemas com base científica. Mais vale do que não se perceber patavina às vezes do que se passa à nossa volta. Até porque só demonstras insapiência, uma vez que as hormonas são produzidas pelas redes neuronais! :p

Adoro quando alivio as minhas frustrações em ti. *