sábado, 30 de janeiro de 2010

Fricção

Vou-te contar um segredo. Só um. Espero que percebas e que não critiques. O que te vou dizer é uma verdade que escondo desde que a descobri, não me desprezes. Tenho medo do que vais dizer. Tenho receio da tua censura quando souberes. Olha, fixa-me os olhos. Não te esqueças que sou eu, agora, e serei eu depois da revelação. Guarda dentro de ti os meus traços. Vai buscar cordas. Traz cordas. (Vieram as cordas). Une os nossos corpos. Com força. Até estrangular a nossa pele. Quero que não fujas quando eu te disser o segredo. Não te quero perder. É melhor jogar pelo seguro. Chega-te a mim. Mais. Encosta-te o teu coração ao meu. Estás pronta. Eu sinto a tua respiração. Sente o meu corpo e vê o que ele tem. Não quero que duvides do que sou depois do que tenho para te contar. Somos amigos, não somos? Jura-me. Promete-me. Não me mintas. É agora que a verdade acontece, porque é agora que os nossos corações batem juntos. Queres saber a verdade? Sei que sim. O teu sangue fervilha, os neurónios estão excitados de curiosidade. Os lábios tremem de medo. Tens medo de ti? De mim? Tens medo? Eu vou-te contar o meu segredo... Chega te reticências. (Sussurrou ao ouvido) E ele disse: Eu tinha medo de morrer sem que te tivesse tido inteiramente amarrada a mim.

Luís Gonçalves Ferreira

3 comentários:

Nádia Dias disse...

Já te tinha dito hoje que me tropeço toda quando leio este texto? :)

Luís Gonçalves Ferreira disse...

Já, Nádia. Já. Mas tu tropeças-te toda por mim :D

Beijoca

rita disse...

adoro o texto, está bonito, lindíssimo, simples o segredo mas com todo o significado, adorei :)