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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago

http://www.radioenciclopedia.cu/2009/noviembre/04/saramago.jpg

Morreu Saramago, aos 87 anos, numa ilha distante, desértica, de território espanhol. Disse, sempre, que esquecer-me de Portugal seria esquecer-me do meu próprio sangue. O nosso génio pequenino sempre se habituou a não prezar os génios nacionais e até a expulsá-los, por falta de garantias. Aprendi, com o tempo, a separar os Saramago comunista, político, do Saramago escritor, humanista, realista, cru e nu. Tinha uma visão global do mundo que amedrontava o portuguesismo mediano. Tenho noção disso. Colocou cães a lamber rostos de pessoas, anjos a oferecem favores sexuais a humanos, raparigas bruxas que viam de estômago vazio, Reis a oferecerem elefantes e tirou Cristo num Evangelho novo. Escreveu Cadernos e alimentou um blogue com o mesmo nome. Viveu intensamente e foi polémico. Começou a escrever tarde e morreu na data que Alguém lhe destinou. Saramago, o meu escritor, foi-se, porque os génios também morrem e perecem. É normal. Ordinário. Tenho muito de Saramago na minha forma de escrever e nos olhos que vêm sem poder sobrehumano nenhum. Insisto, Saramago via a realidade de outra forma. Era diferente. Tinha uma postura diferente. É com uma profunda mágoa que vejo mais um vulto da nacionalidade partir.
Agora não valem museus, nem homenagens, nem estratagemas de propaganda política. O que foi feito foi feito. Felizmente, foi inserido no programa nacional escolar em vida. Viveu o que tinha para viver. Escreveu o que tinha que escrever.
Até sempre, Saramago. Até sempre! 

Luís Gonçalves Ferreira

domingo, 17 de janeiro de 2010

Haiti. Haiti.

Quando ligo o televisor e vejo aquele desfilar de desgraça, saque e pobreza no Haiti, lembro-me, sempre, destas frases retiradas d'O Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago:

"[...] com mil diabos, a cegueira não se pega, A morte também não se pega, e apesar disso todos morremos. [...]Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem"

São corpos abandonados nas ruas, a montes, onde os ritos religiosos não cabem na desgraça. São barracas, casas e palácios destruídos. É uma sociedade de rastos, onde os saques e a miséria humana se espelham. É nestas situações que nos apercebemos que o Homem não é senão um bicho, capaz de tudo. É nos estados de necessidade que tomámos nota da podridão da existência sem regras e Humanidade. É nestas alturas que todos, sem excepção, são capazes de comer terra e roubar como os bandidos que, numa sociedade estruturada, seriam condenamos à clausura e dominados pelas mentes.
É nestas alturas que me apetecia pegar nas bagagens e meter-me a caminho daquele reflexo do Estado de Natureza do Homem. É ali, onde o caos impera, que se devem ver os sentimentos, as vinculações e as relações em estado básico e puro. Era ali, dentro do mundo a sério, que me queria testar e ver do que era capaz.
É o choque que modifica o ser humano. É por isso que os tecnocratas não querem estar no Haiti, limitando-se a analisar os números da desgraça segundo o PIB e os Euros que a reconstrução custará. É pelo choque que os médicos, os enfermeiros e demais voluntários procuram a aventura de levar o humanamente básico aquele povo.
Ajudemos os haitianos com a pequenez de uma chamada.
Ligue 760 20 22 22

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Casamento entre pessoas do mesmo sexo

Hoje, em Portugal, depois de um projecto de Lei do Governo, a Assembleia da República aprovou, com a maioria de Esquerda, a legalização do Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo. Damos, enquanto Estado democrático, um importante passo para a tolerância social e o alargamento dos direitos, liberdades e garantias. Ao Estado, ao contrário do que se argumenta, não cabe acentuar discriminações negativas, que vedam direitos. Ao Estado não lhe devem restar funções de moralidade que negam a realidade efectiva das Pessoas, que são o seu Alfa e Ómega. Pelo simples facto de nascerem têm Dignidade.
O Casamento Civil é uma instituição jurídica que permite o acesso a uma ramificação de direitos privados, entre elas o da adopção. Parece-me pouco lógico que, ao admitir o Casamento Civil, se vede a adoptação de crianças. É como dar uma árvore e proibir o acesso a um dos ramos. Como consequência, este meio-direito concedido acabará por ser, mais tarde ou mais cedo, considerado inconstitucional por fiscalização concreta do Tribunal Constitucional (se não for vetado pelo Presidente da República e precipitada a fiscalização abstracta). Assim, a adopção, para além de já ser possível por via monoparental, acabará por se ver legalizada, por exclusão previsível da norma que, no actual diploma, a proíbe.
Como é comum nas políticas Sócrates, este diploma apresenta-se como uma aberração jurídica, que revela uma clara premeditação dos meios-sentidos e das entre-linhas das proposta. A adopção, a curto-médio prazo, será permitida. Aí o Direito já não será reflexo da vontade racional das pessoas, mas sim um instrumento de resposta a lobbys. É uma conjectura minha, é certo.
Se perguntarmos na rua acerca do assunto, provavelmente os portugueses concordarão com o acesso  dos gays aos direitos de herança e protecção social após a morte, típicos do Casamento Civil.  Quanto à adopção, penso que todos tomam consciência das dificuldades e problemas sociais que a criança  adoptada incorre ao ser incluída numa família "diferente". A desestruturação dos modelos sociais de família acarreta o empobrecimento de valores (extra e intra-jurídicos) que o próprio Direito reconhece como importantes vectores de desenvolvimento social, porque o ordenamento nacional encontra-se repleto de conceptualizações de origem extra-jurídica.
Assim, como imensos portugueses, fico insatisfeito com esta Lei aprovada no Parlamento. Penso que a proposta da bancada Social Democrata, que criaria uma nova figura jurídica - a União Civil (em muito inspirada na resolução inglesa para o mesmo problema discriminatório), faria positivar a opinião geral da Sociedade civil. Com tal instituto, os direitos civis vedados eram abertos aos homossexuais e a desfiguração da instituição Casamento não seria levada a cabo. Evitar-se-iam inconstitucionalidades adjacentes a algumas normas do projecto Socialista aprovado hoje.
Ao Estado não cabe a função moralizadora da Igreja, assente em verdades meta-físicas e dependentes de crenças particulares. Uma discriminação negativa (não se tratava o desigual de forma desigual, mas sim o igual de forma desigual) deve ser sempre combatida, espelhando-se realidades e convulsões sociais emergentes, que só engrandecem a amplitude democrática do Estado e das suas entidades. É pura aceitação da diversidade. Nada mais do que isso...

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

Ps.: Somos o nono país a aprovar o Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Uma pequena reflexão em jeito de despedida

«Perante a situação do país, o Governo, em vez de optar por uma governação empenhada e corajosa, tendo em conta os interesses do país, optou por centrar o seu discurso na governabilidade, na chantagem política, na vitimização, e quase num desafio às instituições de soberania como o Presidente da República e a Assembleia da República», declarou a presidente do PSD.

«Como resultado desta opção, estamos a assistir ao desmoronar total das instituições, ao seu descrédito, o que vai desde as empresas públicas até à Administração Pública ou à justiça», acrescentou. 
Manuela Ferreira Leite, no jantar de Natal do grupo parlamentar do PSD
in Sol


Concordo.
Sócrates encenou, depois das legislações, um circo mediático em volta dos acordos interpartidários para  formação de Governo. Todos sabiam, ao cruzar Belém, que aquilo era um início de um jogo. De hoje em diante, perante a instabilidade da maioria relativa da bancada socialista, Sócrates terá a boca cheia para acusar os partidos políticos com assento parlamentar de tudo. Tudo o que o desconhecimento político-constitucional permite e deixa. Tudo o que o povo aceita ser dito. Tudo...
Até agora nem Governo temos, entre fogos políticos e bombeiros parlamentares. Deficit democrático, é isso. Não sabemos viver a democracia plural, onde se discutem ideias e opções, sem a ditadura das maiorias absolutas. Que Cavaco Silva tenha razão e o ano novo nos traga alguma estabilidade. Adores e dramas políticos desnecessários é tudo o que este Portugal não precisa.
Petrificado e maculado de crise. É assim que se encerra a primeira década do século XXI. Até 2010, país político. Até 2010...

Luís Gonçalves Ferreira

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Novo membro da Greenpeace!


Caros colegas, ontem decidi ser um pouco mais útil para a sociedade e juntar-me a uma organização que me diz muito: a Greenpeace.
Antes de mais, o que é a Greenpeace? Para quem ainda desconhece, a Greenpeace é uma organização não-governamental que actua internacionalmente em questões relacionadas com a preservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com campanhas dedicadas às áreas verdes, clima, nuclear, oceanos, engenharia genética, energia renovável e outros...
A Greenpeace procura sensibilizar a opinião pública através de actos, publicidades e outros meios.

Possivelmente não me verão presa a árvores ou a fazer de cordão humano numa praia pois, ao contrário do que muitos pensam a Greenpeace transcende esses actos, que embora necessários não caracterizam por si só esta organização.
Basta uma inscrição e estarmos atentos ao que se passa no nosso Mundo e com uma simples assinatura podemos contribuir para a sensibilização da sociedade sobre problemas que muitas vezes simplesmente ignoramos.
Existem outras organizações não governamentais que têm feito trabalhos excepcionais para melhorar a qualidade de vida no nosso Planeta, seja ela física ou humana, nada melhor para incentivarmos o seu trabalho do que fazermos nós mesmos parte delas.
Aqui fica uma sugestão para ajudarmos a mudar o Mundo...