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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Suspiro quente

Tenho saudades de planear mensagens e de fazer pesquisas para as tornar perfeitas. Tenho saudades da vitalidade de outros tempos. Tenho saudades de mim, enquadrado, como noutras alturas. Ter saudades não basta. Sentir desespero quando não sei o que é espelho também não. É uma sombra enorme que me persegue. É uma mácula imensa que está aqui, no peito, como na testa de Caim. Apetece-me ganhar forças e mostrar o Luís incrível doutros tempos. Apetece-me ser feliz em todos os quadrantes. Apetece-me voltar a chorar solitariamente para nunca, mas nunca, me apresentar triste aos outros. Queria fechar os olhos e não perder o norte aos meus sonhos. Queria dormir e não perder forças, dia-a-dia, como tem acontecido. 
Esqueci-me que sonhei ser grande. Esqueci-me que sonhei ser um grande projecto. Esqueci-me do valor da família. Esqueci-me do valor de Deus. Esqueci-me que tenho energias fantásticas. Esqueci-me que é absolutamente estúpido sofrer por amor. Esqueci-me como era incrivelmente deprimente percorrer a blogosfera e encontrá-lo aos molhos, em depressão.  Esqueci-me que criticava paranormalismos, idolatrias vãs e coisas afins. Esqueci-me de mim. Tornei-me em coisas que nem queria ser.  A vida ensina-nos coisas, em capítulos, e mostrou-me partes que sempre neguei. Sofri de mais no plano relacional com mundo para merecer mais isto, esta fustigação que cresce, como um chicote, no cérebro. Tenho medo deste bloqueio e de não me erguer mais.
Provavelmente, nada mais faz sentido na vida que eu me teimo a colar. Provavelmente, chegou a hora de olhar para as coisas como diferentes e lidar com elas, assim, como são na verdade. Não posso esquecer o que passei, numa outra mutação, lá longe, que marcou um outro reverso. É uma viagem que custa a fazer.
Apetece-me enterrar a cabeça e não a levantar mais. Isto consome-me todos os dias. A todas as horas. E não devia ser assim. Eu evito-me a vir aqui para não vos chatear. Perdi-me, caros leitores. E custa-me muito juntar os pedaços. 

Até sempre,
Luís Gonçalves Ferreira

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Até sempre, António Feio

Morreu um grande e imenso génio. Tinha por nome dos homens António Feio e vai fazer São Pedro dar muitas gargalhadas.


Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento. Agradeçam. E não deixem nada por dizer... nada por fazer.

Luís Gonçalves Ferreira

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago

http://www.radioenciclopedia.cu/2009/noviembre/04/saramago.jpg

Morreu Saramago, aos 87 anos, numa ilha distante, desértica, de território espanhol. Disse, sempre, que esquecer-me de Portugal seria esquecer-me do meu próprio sangue. O nosso génio pequenino sempre se habituou a não prezar os génios nacionais e até a expulsá-los, por falta de garantias. Aprendi, com o tempo, a separar os Saramago comunista, político, do Saramago escritor, humanista, realista, cru e nu. Tinha uma visão global do mundo que amedrontava o portuguesismo mediano. Tenho noção disso. Colocou cães a lamber rostos de pessoas, anjos a oferecem favores sexuais a humanos, raparigas bruxas que viam de estômago vazio, Reis a oferecerem elefantes e tirou Cristo num Evangelho novo. Escreveu Cadernos e alimentou um blogue com o mesmo nome. Viveu intensamente e foi polémico. Começou a escrever tarde e morreu na data que Alguém lhe destinou. Saramago, o meu escritor, foi-se, porque os génios também morrem e perecem. É normal. Ordinário. Tenho muito de Saramago na minha forma de escrever e nos olhos que vêm sem poder sobrehumano nenhum. Insisto, Saramago via a realidade de outra forma. Era diferente. Tinha uma postura diferente. É com uma profunda mágoa que vejo mais um vulto da nacionalidade partir.
Agora não valem museus, nem homenagens, nem estratagemas de propaganda política. O que foi feito foi feito. Felizmente, foi inserido no programa nacional escolar em vida. Viveu o que tinha para viver. Escreveu o que tinha que escrever.
Até sempre, Saramago. Até sempre! 

Luís Gonçalves Ferreira

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sobre o poço que é o tempo

Às vezes o relógio do tempo podia parar, por minutos, para prolongar os momentos e congelar as memórias. É triste sentir-se o tempo a destilar o corpo. A inundar a carne de uma água que era sã, de translúcida, e passou a ser poluída, de negra que está. Mas isto é só da matéria, da substância, porque as auras, as mediunidades dos corpos, que são espíritos, mantêm-se lúcidas, mesmo que a foice passe por eles e os eleve, ao monte da memória e da recordação. Não há Olimpo que recolha as preces. Nem céu que acolha as almas. Há tempo. O dos homens e o da recordação que nos trava as pessoas entre o coração e o cérebro. Não é que isto seja de agora, ou da Ágora de outros tempos. É de sempre. É dos homens. É do corpo que é alma estrelar, num poço de carne que é doente, decadente, desde que nasce, porque logo se desfalece, em números que são aniversários. São lágrimas. É a História, feita de estórias e histórias, que davam Livros. É o tempo que tropeça cara abaixo, a desgastar as rochas e a e transsubstanciá-las em rugas.  E é o tempo que as aumenta e as faz crescer de sorrisos. Que Deus nos ensine a amar, a perdoar e a perder. Aliás, que o deus me prende ao que se aprende com Ele, porque cada vez me sinto mais distante de tudo.

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um adeus

E foi-se uma Senhora do espectáculo. E sucumbiu um dos rostos incontornáveis do teatro português. E desapareceu uma escritora incrível. É uma perda para todos, mas especialmente para o mundo das artes. 
A obra continua cá como se o corpo daqui nunca tivesse ido.
Até sempre!

Luís Gonçalves Ferreira

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Adeus, Lhasa de Sela



E foi-se mais um génio. Foi o cancro que a levou, aos 37 anos, depois de 21 meses de uma batalha desigual.
Aprendi a admirar o seu trabalho há pouco tempo, porque há pouco conheci a sua música. Versátil, incrível, humilde na sonoridade, forte na emoção, dizem que Sela era popular em Portugal.  Popular dentro de mim e do meu mundo musical é com certeza. E continua a ser.
Foi um prazer tê-la cá. O Mundo ficou melhor. A Música mais rica. A Arte mais diversificada. Engraçado, foi-se o corpo, mas o Mundo continua melhor, a Música mais rica e a Arte mais diversificada. É este o valor da obra genial!

http://www.marsab.com/artists/lhasadesela/lhasadesela3.jpg
Adeus, Lhasa de Sela.

Luís Gonçalves Ferreira