Mostrar mensagens com a etiqueta Aniversário. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aniversário. Mostrar todas as mensagens

domingo, 14 de fevereiro de 2010

"Não ames uma ilusão"*

Este dia para além ser dos namorados é do amor em estado absoluto. Na vida quotidiana as máscaras são mais que reais e a inverdade vivencial de alguns transforma as relações num penar quase certo, mais ou menos moroso, mas porém inevitável. Defendo sempre, ao início de todas as relações, que a verdade seja posta em cima da mesa. Não a verdade sobre quem se aparenta ser, mas sobre o eu que é efectivamente. As relações acabam por choque dos génios e não por falta de concordância relativamente à comida que se vai fazer para o jantar. Os gostos, atitudes, pensamentos e comportamentos antes de serem do foro externo, passam pelo cunho pessoal (e íntimo) da razão e do próprio sentir da pessoa. A imagem que pomos cá fora pode ser completamente fabricada. Contudo, ainda não somos donos da fábrica dos sentimentos e dos contextos, pois não somos proprietários das pessoas que os plantaram, sem querer, dentro de nós.
No dia do amor eu peço, acima de tudo, que se amem por dentro, no templo interior, e só depois aquilo que exteriormente vos rodeia. É um amor-próprio baseado no auto-conhecimento, no saber ser,  que irá permitir, a curto prazo, amar mais e melhor. Só quem se conhece se pode dar ao displante de querer conhecer mais que uma farsa. Relações construída de telhas de vidro e pés de barro estão condenadas, de per si, ao fracasso, por mais que o sentimento seja forte. As telhas de vidro e o barro são mentiras interiores. Só conhecendo o que está cá dentro conseguimos saber daquilo que, concretamente, somos capazes de fazer.

Bom dia de São Valentim,
Luís Gonçalves Ferreira

* Postagem surgida de um comentário feito, por mim, no blogue Sair das Palavras na mensagem homónima a esta.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Aos 20 anos


20 anos. Surgiram naturalmente, como todos os que se lhe vão somar a seguir. Não custou a chegar aqui, porque sou feliz. Tenho amor, realização pessoal e académica e uma família estruturada. Sou um ser humano racional, mas extremamente sensível e instável. Com a idade aprendia a relativizar as coisas, dando razão a algumas vozes proféticas com as quais me fui cruzando.

Hoje não sou o mesmo Luís de há dez anos, pois as urgências e os contextos, feitos de sonhos, são obviamente diferentes. Sou um devoto de balanços. Sempre os fiz nos meus aniversários, principalmente desde o tempo em que juízo e a maturidade decidiram positivá-los e deixar-me, assim, voar no tempo pela força das palavras.

Somam-se-me vida e pessoas. São elas o mais importante de tudo. Assim, continuo a fazer-me delas nos dias particularmente especiais. Agradeço-lhes os anos carregados de felicidade e realização, feitos de mim, mas, sobretudo, dos outros. Sou todos os que me preza, amam ou simplesmente respeitam. Quero esquecer as tristezas e as desilusões. Quero fazer-me de vós, mais um ano. Quero-o aos 21, aos 31, aos 41, aos 51, e até onde o acaso da sobrevinda existência conseguir chegar. Tenho-vos, companheiros, como coisa certa na minha vida. Amo gente, faço-me de gente, porque sou gente, apesar de cada vez acreditar menos na inata bondade do ser humano.

As relações sociais e os sentimentos dos outros moldam-nos e limam-nos as arestas, tantas vezes carregadas de farpas. Hoje deixo-me encher do mundo que me rodeia, e homenageio-vos, amigos. Amigos fartos de familiaridade, consanguinidade, amor, respeito e companhia. Amigos de hoje e de ontem. Amigos que me seguem e me cultivam a alma de paz e carinho.

Aos 20 anos estou feliz. Não me lamento de me ter cruzado com algumas pessoas menos boas. Conheço-me melhor depois dos testes reais, objectivos, em frente às adversidades. Pena é que o corpo não maquina e não responde sempre da mesma forma aos acontecimentos análogos. Por isso, procuro sempre a novidade para ser maior. Nunca quis só idade, mas também maturidade e conhecimento. Não vivo (nem quero viver) numa bolha de sabão, onde a amargura não está. Não é masoquismo isto de que falo. É tão-só a racionalidade de perceber que não controlo tudo, muito menos as outras pessoas e os seus comportamentos.

Quero-te família. Quero-te amigo. Quero-te sonho. Quero-te vida, acima de tudo. Enquanto sorrir, andar e for fiel a mim próprio, garanto-me em corpo e alma. Parabéns a vocês, porque fizeram de mim um ser capaz de amar a soma de anos que hoje comemoro. Parabéns a mim, ao corpo, que conta tempo. Ao coração não chegam minutos nem as cronologias frias e matemáticas dos homens. Ao corpo chega tudo, porque é a barra de colisão imediata, é matéria. Parabéns ao interior e ao corpo, porque não festejam um sem o outro, tal e qual eu não vivo sem pessoas.

Vamos ser felizes juntos mais um ano e a seguir outro, até à eternidade.

Luís Gonçalves Ferreira