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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Aos 20 anos


20 anos. Surgiram naturalmente, como todos os que se lhe vão somar a seguir. Não custou a chegar aqui, porque sou feliz. Tenho amor, realização pessoal e académica e uma família estruturada. Sou um ser humano racional, mas extremamente sensível e instável. Com a idade aprendia a relativizar as coisas, dando razão a algumas vozes proféticas com as quais me fui cruzando.

Hoje não sou o mesmo Luís de há dez anos, pois as urgências e os contextos, feitos de sonhos, são obviamente diferentes. Sou um devoto de balanços. Sempre os fiz nos meus aniversários, principalmente desde o tempo em que juízo e a maturidade decidiram positivá-los e deixar-me, assim, voar no tempo pela força das palavras.

Somam-se-me vida e pessoas. São elas o mais importante de tudo. Assim, continuo a fazer-me delas nos dias particularmente especiais. Agradeço-lhes os anos carregados de felicidade e realização, feitos de mim, mas, sobretudo, dos outros. Sou todos os que me preza, amam ou simplesmente respeitam. Quero esquecer as tristezas e as desilusões. Quero fazer-me de vós, mais um ano. Quero-o aos 21, aos 31, aos 41, aos 51, e até onde o acaso da sobrevinda existência conseguir chegar. Tenho-vos, companheiros, como coisa certa na minha vida. Amo gente, faço-me de gente, porque sou gente, apesar de cada vez acreditar menos na inata bondade do ser humano.

As relações sociais e os sentimentos dos outros moldam-nos e limam-nos as arestas, tantas vezes carregadas de farpas. Hoje deixo-me encher do mundo que me rodeia, e homenageio-vos, amigos. Amigos fartos de familiaridade, consanguinidade, amor, respeito e companhia. Amigos de hoje e de ontem. Amigos que me seguem e me cultivam a alma de paz e carinho.

Aos 20 anos estou feliz. Não me lamento de me ter cruzado com algumas pessoas menos boas. Conheço-me melhor depois dos testes reais, objectivos, em frente às adversidades. Pena é que o corpo não maquina e não responde sempre da mesma forma aos acontecimentos análogos. Por isso, procuro sempre a novidade para ser maior. Nunca quis só idade, mas também maturidade e conhecimento. Não vivo (nem quero viver) numa bolha de sabão, onde a amargura não está. Não é masoquismo isto de que falo. É tão-só a racionalidade de perceber que não controlo tudo, muito menos as outras pessoas e os seus comportamentos.

Quero-te família. Quero-te amigo. Quero-te sonho. Quero-te vida, acima de tudo. Enquanto sorrir, andar e for fiel a mim próprio, garanto-me em corpo e alma. Parabéns a vocês, porque fizeram de mim um ser capaz de amar a soma de anos que hoje comemoro. Parabéns a mim, ao corpo, que conta tempo. Ao coração não chegam minutos nem as cronologias frias e matemáticas dos homens. Ao corpo chega tudo, porque é a barra de colisão imediata, é matéria. Parabéns ao interior e ao corpo, porque não festejam um sem o outro, tal e qual eu não vivo sem pessoas.

Vamos ser felizes juntos mais um ano e a seguir outro, até à eternidade.

Luís Gonçalves Ferreira