sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Telepatia no círculo fechado

Praça de Santiago - Guimarães
Vivo aqui
onde as pedras
são molhadas.
onde a chuva
me fustiga
dia após dia
as passadas.
de granito meu olhar
de tons cinzentos
meu grito
que desenha a pedra dôr,
a cruz erguida que imito.
mas não há vento,não há frio
que me recolha a vontade
por entre muralhas e musgo
nasce o verde da verdade
e na coragem do rei
no olhar da minha gente
apenas há uma lei:
amar a terra
agora e sempre!
Bons momentos passados naquele especial e inesquecível sítio.
Para mim, a minha segunda casa onde cresci e me fiz assim.
Agradeço as manhãs, as tardes e os inícios de noite; agradeço pelo facto de andar ausente e ainda assim me sentir em casa; agradeço por ter sido lá a minha primeira saída à noite; acima de tudo, agradeço por ainda me fazer Vimaranense. Praça de Santiago, agora e sempre!
Com o passar do tempo, é imperativo que a vida mude.
A minha vida mudou, se mudou... O quotidiano de outrora não se assemelha ao actual.
Tudo sem excepção está guardado. Não há nada que tenha deixado para trás.
Espero, um dia, que os meus descendentes possam usufruir exactamente do mesmo que eu. Não digo mais, porque melhor é impossível.
Um bem haja aos tempos da parvalheira!
"Telepita, boa noite! Fala a..."
Sem mais,

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tempo entre parêntesis

A vida é uma viagem que se começa em pequenino. Não é uma novidade que vos trago. Numa rota não prevista, o mapa vai-se revelando à medida que o tempo caminha. É desconhecido o destino, são incógnitos os portos, escassas as enseadas onde encontrar abrigo. Caímos muitas vezes na triste falácia de conjecturar com os medos e com a imaginação de uma criança insegura e simplista, burilada pelos traumas, sem pensarmos que não há visão mais esclarecedora do que o próprio olhar. Pela minha parte, tento encontrar coerência no meu percurso, o sentido oculto, a harmonia que se deverá esconder por detrás de tudo. Escrevo isto para me ler ao espelho, com uns olhos que se vêem a si mesmos, e que nessa peregrinação interior procuram descobrir o nexo, o sentido de uma existência em que o passado caminha ao lado do presente, numa conversa cúmplice de quem se conhece bem.

Em bruscos momentos de lucidez, percebo que a nossa inteligência, tal como um candeeiro em beco de rua, apenas nos permite ver uma parte do chão que pisamos. Se tivermos o inato medo do escuro, ficamos tal como estávamos. Não se vive, nada se espreita ou inquieta: navega-se à bolina do vento dos demais. Não me vou pôr com ensinamentos de riqueza interior, virtude ou perseverança. Apenas estou a ponderar, a dirimir o que observo. Há equilíbrios difíceis dentro de nós. O futuro é suspenso para todos, e não só para quem teve acidentes de percurso prematuramente ou tem medo que o céu lhe caia em cima da cabeça. Quem ler isto e for da minha confiança, provavelmente já está a visualizar a minha “teoria do meteorito” com um sorriso nos lábios. Há data marcada para o Apocalipse? A vida é tempo entre parêntesis, ao que me tornei assumidamente inconsequente. Repito todos os dias que só não há solução para uma única coisa: a morte.

Passam na nossa mente, diz-se, nesse momento, pessoas, lugares, pedaços da existência, no rebobinar de um filme que se extingue. Tenho vindo a considerar o quão é injusto para muitos terem uma mera e veloz última oportunidade de olhar para trás, e que a expressão “talvez um dia…” não seja antagónica de “nunca”. Vou-lhe chamar de “o meu alerta”. Quero, para mim e para vocês, voltar a sentir o arrepio na pele das emoções que me correram como cavalos selvagens, visitar neste instante todos os lugares que prometi lá ir só quando puder, e abraçar todas pessoas que adiei por achar ser imortal. Aliás, não acho – sou corpo e alma. Contando que suguem o que de melhor e pior há em mim, sei que vou viver para sempre no baú de alguns, nem que tenha sido por uma palavra afectuosa ou por um simples gesto, bom ou mau, que possa ter singelamente ou involuntariamente mudado o rumo de alguém. Talvez venha daí o motivo pelo qual termino sempre tudo o que começo, ou que não sou muito dada a vulgaridades e dogmas. Só ignoro, de facto, é o que virá depois, o que em mim origina uma ânsia terrível de ter um livro interminável na memória para contar ainda neste “antes do depois”. É-me complicado guardar recordações palpáveis nos meus armários, pelo simples facto de já carregar um fardo pesado delas dentro de mim. Sinto-as por demais. Muitos pensaram que sou fria e narcisista – para esses, aqui fica a resposta. Se as avivasse em cada esquina, pouco tempo me sobrava para tudo o resto.

Desta feita, proponho-vos o seguinte: esta noite, vamos todos ver o nosso filme e prometer repetir, quantos vezes o desejarmos, todas as partes que mais saudamos, a acabar com os comboios sem volta. Nunca é demais procurar regressar à terra da felicidade. Esta é razão de ser e de viver. Bem feitas as contas, não há muito que nos possamos queixar. Sofremos e amamos, não por igual, que a dor já passou, mas o encanto persiste.
Esta noite, questionem àqueles que nunca tiveram coragem de o fazer, "foste tu que me desarrumaste o passado?"

Atrevo-me a prometer-vos um serão muito terno e iluminador.
Boa noite!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Just The Way You Are


Podem dizer que vos afasto o gado ou que vos dou cabo da clientela. Que sou um amigo muito próximo ou até que quase moro convosco. Talvez por tudo isso (e mais alguma coisa), txuxucas do meu coração, esta música é para vocês.

"Cause Girl you're amazing, amazing, just the way you are"

Luís Gonçalves Ferreira

PS.: Isto de não ter namorada a quem dedicar músicas bonitas dá nisto. ;P
Pensamento do dia (se bem que um pouco prematuro):

Por que raio é que se até os relógios avariados conseguem estar certos duas vezes por dia, os homens não conseguem? É assim tal proeza inalcançável?

Sim, vós, raça obscura da sociedade que habitais os subúrbios mais escuros, sombrios e temidos do bairro do nosso rectângulo, não venhais com desculpas de não conseguirem interpretar as mulheres.
Nós não vamos às casas de banho aos pares para arquitectar planos maléficos contra vossas excelências, como pensais. A mania de perseguição não existe para estes lados. O mesmo já não poderei afirmar a pés juntos de vós.
Como podeis ser, por vezes, as nossas ninfas inspiradoras de contos de fada, como por outras, sois a razão da nossa entrada nas profundezas mais profundas da melancolia?
Se é para ser assim, acho que o melhor é encontrar o meio termo, ficar nos 40, e não sair daí.
Assim seja!
Um bem haja a homens como o meu pai!!! :P Acho que seria o homem ideal para dissertar sobre como lidar com mulheres.
Sem mais,

domingo, 21 de novembro de 2010

De Barcelona fica:

Os passeios na Rambla e as gentes que vi. O cheiro. O toque. E o sentidos que vi apurar. Fica Gaudí, Picasso e Dali. Ficas tu, aí, desse lado, porque não consegui escrever-te enquanto lá permaneci. Fica-me o cheiro no nariz e o vento frio do metro na pele. Fica-me, nas botas, a chuva de uma manhã e a terra de uma cidade que nunca tinha pisado. No cabelo está-me a bolina por empréstimo dos ouvidos. Essas trompetes guardam os passos das pessoas, o discurso das visitas guiadas por máquinas e os castelhano, catalão, inglês, francês e italiano que ouvi. Guardo o Museu Nacional de Arte da Catalunha, a Catedral de Barcelona, o Parque Guell e de Montjuic e o da Cidadela. Fica logicamente a Sagrada Família de Gaudí e a Casa Batlló e a Milá. Guardo as conversas aparvalhadas e o sono coleccionado. Nos pés estão o cansaço de quilómetros percorridos. Ficam as saudades de ter saudades de ti. Guardo o melhor que Barcelona me deu e penso no que outras cidade me poderão acrescentar. 
Ficaram coisas por ver, mas é esse o esperanto que me fará, certamente, lá regressar.

 http://www.nh-hotels.com/hotel_images/cities/barcelona.jpg

Luís Gonçalves Ferreira

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

p.s 1: Grande música

p.s 2: Bom início de madrugada