domingo, 14 de novembro de 2010

Juegas todos los dias

Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.
A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
¿Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
¡Ah, déjame recordarte cómo eras entonces, cuando aún no existías!

De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.

Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo sólo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas los barcas que anoche amarraron al cielo.

Tú estas aquí. ¡Ah!, tú no huyes.
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo algunavez corrió una sombra extraña por tus ojos.

Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas.
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.

Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí, ...
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos, visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos gigantes.
Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueño del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.
Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos
.



Pablo Neruda

Turtle sex



Quando precisarem de me ver a rir muito, lembrem-se deste video!

domingo, 7 de novembro de 2010



Ars longa, vita brevis, occasio praeceps, experimentum periculosum, iudicium difficile.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Janela de força

Fui caminhando, sem fazer barulho, na direcção em que os sonhos eram prováveis. Fui, de mansinho, naquela direcção onde a luz nunca falhou. Agora, quando ia a caminho, em segurança, a luz apagou-se e os sonhos mudaram. Estou no centro do túnel. Entre a boca do destino. No coração do futuro. No tempo onde o tempo deveria contar mais que os prazeres fáceis. Estou cansado para voltar para trás... Estou cansado para seguir em frente. Mas sei que não posso ficar, aqui, no meio, sentado, à espera que as pessoas passem e me levem na brisa das suas costas. Apetecia-me planar ao fechar os olhos... E sair daqui para uma outra luz, noutro denso estado, fora daqui. 
Pertença vã. Carne fraca. Medo do escuro. Fome de ti. Sede de mim. Falta de abraços. De pessoas. De carinhos. Tristeza por dentro sedada por fora e adormecida numa meia-noite qualquer. Apetece-me dormir, na rosca que estes lençóis me fazem. Apetece-me fugir daqui com este conforto. Tenho vontade de respirar, com força, e sentir-me a destilar vida. Eu tenho receio... da luz que existe dentro de mim.
Tenho a minha janela de força a abrir-se aos poucos. Eu sinto...
Luís Gonçalves Ferreira

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ser avô é ser-se pai duas vezes!

Sempre fui absolutamente tua: o teu pedaçinho de gente, o teu brinquedo, o teu porta-chaves, a tua Tilinha. Em jeito de gesto eterno, o resto dos teus dias mudaram no dia que me conheceste, e isso tornou-te o meu porto seguro, o meu guia e o meu pai mais querido, qual troca de destinos possível entre vivos. Dizias que te ensinei a amar de todas as formas possíveis e eu não entendia muito bem o que isso significava. Conta-se, entre os nossos, que nesse primeiro instante se sentiu uma electricidade no ar que ainda hoje mal a conseguem descrever. Arrepiam-se só de se lembrar, e envaideço-me tontamente cada vez que o fazem. É a melhor história de embalar que, e já com um quarto de século de vida, ainda me podem contar. Tenho saudades até desse ar que se respirava; tenho até medo dessa química, daquele silêncio que bastava para se saber o que entre ambos era o essencial. Conhecer alguém assim seria sôfrego, só pelo receio de te voltar a ver partir.

Preciso dessa energia que criávamos, ao ritmo de um compasso quaternário. Criaste-nos um laço tão seguramente amarrado (como os que, com uma paciência infinita, me ensinaste a fazer com cordel), que não me soube desprender dele, e tornaste-te, sem querer, em tudo o que procuro insaciavelmente ao meu redor. Responsabilizaste-me por ti ainda eu mal contava os meus tenros segundos de vida. É um fardo pesado esse, de cativar sem saber como.
Enquanto caminho, onde quer que vá, sei que te levo pela mão. Quando choro, se o consigo, sei que és tu que me afagas. Sei que me tratas as feridas também. E se chove lá fora a lembrança das tuas rugas traquinas tornam os dias pesados num Verão quente e afável o ano todo. “Ser avô é ser-se pai duas vezes”, e tu representas-te na perfeição – até mesmo à exaustão - esse importante papel.
Foste o melhor companheiro que se pode ter numa vida e quase que me extinguiu o pouco da alma que sobrou com a tua ausência procurar-te até agora sem saber bem onde. Tiveste uma vida tão plena e audaz que me faz ansiar a toda a hora descrever-te a todos os que não tiveram o privilégio de te poder conhecer.


Um dia destes, encontrei magicamente (como era tudo o que fazias) as tuas memórias e cedi em pranto. Ontem, passados mais de dois anos, quando finalmente te consegui ir ver, sentei-me na tua laje como quanto te pedia colo, e decidi que tinha que te deixar ir em paz, ou nenhum dos dois alguma vez a conseguirá alcançar. Sossega os olhos que sem vida haveriam de me estar sempre a ver. Eu já sei tomar conta de mim. Sei que consegues ver que sim.
Obrigada por me deixares viver em ti. Obrigada por abrires esses olhos uma última vez, quando já todos à minha volta me mandavam desistir. Foi uma dádiva tremenda, inigualável. A paciência é amarga, mas os seus frutos são doces. Até na tua partida tiveste o dom de me dar mais um ensinamento. Obrigada, por não me permitires deixar de lutar, por mim e pelos nossos. Por eles, que são teus, nunca vou deixar de o fazer. Obrigada por tornares a minha existência tão especial.


Guardarei para sempre o melhor de ti em mim. É o meu mais sagrado adágio. E agarro-me a tudo o que me legaste, perenamente, na pele, na memória e no coração, com a raça e o amor que me incutiste, e o orgulho do sangue na voz.
Perdoa-me por isto, mas não sei enviar cartas para o Céu.


Até sempre vôvô.